segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tirando a Trave do Próprio Olho - O Êxodo

"Nenhum homem jamais menospreze a tua mocidade." - 1 Timóteo 4:12

Introdução

O JJ que de vez em quando comenta no quadro de recados ao lado, sempre faz referencia ao fato de eu estar, segundo ele, passando por uma crise existêncial. Na verdade acho que o ser humano porde passar por crises existenciais em muitos momentos de sua vida e por motivos muito diversos, afinal como estudado pela própria filosofia o fato de sermor seres pensantes já é um combustível para uma análise ou crise existencial. Porém neste momento da minha vida estou muito bem resolvido sobre muitas questões, sobretudo a religiosa, então não creio que esteja passando por um destes momentos. Já passei, mas não agora !

O Blog surgiu como uma válvula de escape, foi a forma que encontrei de expressar o que estava represado dentro de mim devido a repressão que temos dentro da organização, seja ela aberta ou velada. Muitas pessoas me escrevem referente as coisas que escrevo no Blog, algumas com críticas outras agradecendo, muitos se identificam com minhas reflexões, ou como diria o JJ, minhas crises existenciais. Então como diria o velho lobo, agora "vão ter que me engolir", segura aí então tronco espinhento, pois agora que começei a teclar só paro quando terminar !

Minha adolescencia

Uma das melhores fases da minha foi a adolescencia. Me diverti muito, briguei , me apaixonei, estudei, fiz amigos, fiz burradas, um adolescente como outro qualquer. Mas feliz ! Eu era o tipo de adolescente reflexivo, questionador. Me lembro que no ginásio nas aulas de história, biologia e outras após aqueles explanações do professor todos me aguardavam, pois eu sempre tinha um "porque". Eu questionava, discutia, não concordava, concordava, enfim...não era do tipo que aceitava tudo sem saber exatamente o "porque". Em funçao disto as vezes eu era encarado até como o chato da turma pelos colegas e o combustívels para os professores que gostavam de prolongar sua retórica. "Cara, deixa o professor falar !", diziam alguns. "Alguma pergunta ?", geralmente terminavam os professores suas explanações me olhando com aquele olhar de que já sabiam que eu daria o tom necessário para a continuidade da conversa.

Quando falamos da adolescencia é difícil dissociar esta fase da via com a escola, pois é onde passamos a maior parte do tempo. É difícil também dissociar dos amigos, pois é com quem dividimos nossas descobertas, conflitos e alegrias. E foi neste contexto que me deparei novamente com a religião Testemunhas de Jeová !

Como todo jovem adolecente, eu carregava comigo aquele sentimento ativista, rebelde. Na forma de usar a roupa, no corte de cabelo, nas pixações no tenis, camiseta, mala do colégio, paredes do banheiros, etc. E a ultima coisa que eu pensava quando adolescente era em me engajar em alguma religião, muito menos uma relgião de "crentes".

Mas num belo e fatídico dia, por causa de algumas dúvidas de minha mãe e tia, as Testemunhas de Jeová voltaram a bater em nossa porta, desta vez a convite delas, para esclarecer algumas coisas com respeito aquilo que pedimos a Deus e na forma como estes pedidos são atendidos. Eu como sempre acompanhava as discussões em família de final de semana, e estes temas me chamavam a atenção ! Mas jamais imaginei ir atrás de alguma religião para tratar destes assuntos, na verdade eu gostava mais era da forma como o assunto se desenvolvia, era discutido e abordado por eles. Entretanto, num belo dia quando chego em casa fico sabendo que minha mão e minha tia estavam estudando com uma mulher Testemunha de Jeová.

Ela era uma jovem mulher muito inteligente e muito razoável, conseguiu responder as dúdidas em anseio delas e isto foi solo fértil para que os ensinos passasem a ser ensinados e através delas a religião entrou em nossa família. Pois a cada novo estudo, nos encontros de finais de semana as discussões agora tinham uma explicação "lógica" e "razoável". Agora tinha uma certa erudição, que eram passadas nos estudos e assim minha mãe e tia se tornaram o canal para que a "verdade" entrasse na nossa família e atingisse a todos.

Eu tinha minha vida de adolescente e acompanhava esta coisa de longe, com curiosidade mas sem me envolver. Porém não por muito tempo, pois eu e meus irmãos éramos o foco de minha mãe, pois no pensamento dela precisávamos de uma formação religiosa, precisávamos dos ensinos da verdade para que nosso caráter pudesse ser moldado. Assim não demorou muito para que um estudo fosse programado para mim, mesmo sob protesto, mesmo sobre meus insistentes não ! Eu simplesmente não queria, mas como adolescente que direito eu tinha sobre minha própria vida ? E nesta quebra de braço entre eu e minha mãe eu cedi ! E num belo dia me vejo sentado, na mesa da cozinha de casa, eu meu irmão e dois jovens TJs. Bom e como diz um colega de trabalho "já que está no inferno abraça o capeta", eu resolvi dar atenção a este estudo.

A cada estudo eu tinha questionamentos, fazia perguntas, a maioria delas sem respostas ! Foi assim com todos os meus instrutores, geralmente meus estudos eram polêmicos, demorados, eu trazia muitos assuntos. Mas eu não tinha nenhuma erudição bíblica para fazer frente aso argumentos sempre prontos dos meus intrutores, pois quando o assunto ficava complicado e sem explicação, voltávamos ao livro para não fugir do tópico. Na verdade acho que eu era o perfil perfeito para conversão, temente a Deus, questionador e com nenhuma instrução religiosa.

O que mais me chamava a atenção sobre os TJ é que tudo era muito bem organizado, tudo muito bem organizado. Me lembro que a coisa que mais me intrigava era a coisa do nome de Deus ser Jeová ! Eu achava muito feio e estranho este nome, demorei para aceitar isto. Mas a aceitação veio atravéz de um processo de conformação, ou condicionamento. Tipo, agua mole em pedra dura tanto bate até que fura ! Porém o que me convenceu mesmo, foi que fiz uma pesquisa em fontes alternativas e constatei que o nome de Deus era Jeová e isto foi ponto para os TJ em meu conceito.

A pedido ( insistência ) de minha mãe começei a frequentar as reunião. Nossa, como estas reuniões eram chatas e massantes. Porém o estudo bíblico, com as reuniões e o envolvimento da minha família com esta nova religião, que virou uma espécie de frison na família foram se tornando cada vez mais comum. Não se tratava de uma convicção para mim sobre a religião ser ou não verdadeira, o que me envolveu, hoje fazendo uma retrospectiva foi o envolvimento. Simplesmente fui sendo levado, fui me familiarizando com o ambiente, me acostumando, me condicionando e com o tempo tinha trocado todos os meus amigos de escola, por pessoas do salão. Tinha deixado de estar na rua com meus amigos para acompanhar os irmãos no campo ou nas atividades do salão. Deixei de ouvir musica, jogar futebol, treinar basquete, capoeira, e outras coisas para me dedicar as coisas que diziam que eram mais importantes para mim. E eu como jovem, acho que simplesmente aceitei e me deixei levar por esta coisa que entrou forte na família.

Depois de um certo tempo eu passei a me sentir bem no meio, me sentia engajado, eu tinha qualidades que passaram a ser bem aproveitadas. Era inteligente, aprendia rápido, era responsável, dedicado. Assim passei a ser convidado para ajudar, mesmo jovem em muitas das necessidades da Congregação, minhas partes eram elogiadas, meus estudos eram dirigidos com eloquencia, eu passei a me aprofundar nos assuntos da religião, sem me importar com o mundo que seguia seu curso ao meu redor. É como se eu de repente passase a viver em outro mundo, na verdade eu vivia em outro mundo, eu era outra pessoa.

Não posso negar que houve mudanças significativas na minha personalidade com a aceitação da religião. Mas não atribibuo estas mudanças a religião em sí. Acho que a religião apenas reforçou qualidades que eu tinha e ajudou a desenvolver meu potencial em certos campos, naturalmente porque estes potenciais eram úteis. Tenho consciencia que se eu me envolvesse com qualquer outra religião, provavelmente desenvolveria as mesmas coisas. Estou falando sobre responsabilidade, honestidade, dedicação, altruismo, etc.

E assim se deu, e aos 18 anos de idade eu não era apenas um jovem TJ dedicado, era também um jovem Servo Ministerial, motivo de orgulho e respeito !

A saga continua no próximo post....

7 comentários:

Diserto - my blog disse...

Caro amigo, confesso que tentei ficar de fora desta, mas não consegui e acabei me intrometendo outra vez. Peço desculpas, pois não o conheço, mas teus escritos me interessam. Talvez, porque sua história me atingiu em cheio no que tange aos motivos que o levaram a se tornar um TJ. Comigo aconteceu quase a mesma coisa, porém, eu não cedi. Eu nunca freqüentei um salão, também nunca fui TJ.
Mas oportunidade é que não faltou, pois comigo, insistiram da mesma forma que fizeram com você.
Por um lado, sempre me simpatizei com tudo que ensinavam.
Por outro, sempre tive uma resposta das Escrituras para todas as minhas dúvidas.
Confesso que chegou o dia em que eu desejei que estivessem com a verdade e convencessem-me, de meus equívocos, para minha surpresa, neste mesmo dia cederam e prometeram voltar com uma resposta mais convincente, de forma a sanar todas minhas dúvidas sobre o assunto em questão, entretanto, já se passaram 26 anos e nunca me deram a resposta em pelo menos dois tópicos de minhas indagações.
Por incrível que pareça, alguns deles chegaram a concordar comigo e confessaram que estavam profundamente equivocados quanto ao modo de pensar sobre aquele ensino.
Foi a gota d’água. Acabei desistindo de ser TJ, mas é como você mesmo escreveu.
Você foi levado a crer no que diziam, e por não conhecer o outro lado, acabou aceitando.
Não porque o Espírito Santo te converteu, mas porque a religião te convenceu de seus erros e prevaleceu sobre a tua fragilidade.
Eu penso o seguinte. Se você nunca tivesse tido contato com a religião, e alguém batesse em tua porta, nos dias de hoje, provavelmente seria tudo diferente.
Pode ser também que hoje fosse tarde de mais para você. Já que é na adolescência que geralmente fazemos nossas escolhas, e muitos não são felizes com o rumo que dão às suas vidas e acabam desperdiçando-as.

Conclusão, certa ou não, você fez a melhor escolha quando optou pela religião.
Paz! "DISERTO"

Anônimo disse...

Irmão Diserto concordo com suas palavras, o irmão JBROTHER nos encanta com esses novos escritos. Não tem Testemunha de Jeová que não se enquadre na história dele em algum aspecto.



Sabedoria e humildade na atitude de escrever sobre isso!

Ex TJ

Free from the Matrix disse...

Obrigado pelo blog. Continue escrevendo.
Agora uma visão minha das coisas.
Como tudo neste planeta que está vivo, nada é só bom ou só mau.
Inclusive qualquer religião.

Ponto positivo para TJ é a busca por uma vida de princípios e valores e não ter falcatruas financeiras organizadas.

Ponto negativo é fanatismo e controle da mente.

Para mim por muitos anos me ajudou e me moldou numa pessoa de princípios. Hoje não me serve mais, mas nem por isso posso deixar de reconhecer os valores lá dentro.

De qualquer maneira tomar a pílula vermelha e sair da Matrix é o melhor que pode acontecer a um TJ. Pena que poucos podem fazer isso por sí próprios. Daí a importância deste blog: Ele ajuda a libertar os TJ que lá no fundo sentem que há algo de errado no mundo dos TJ, mesmo gostando dele.

Parabéns!

Anônimo disse...

Para o Free from the matrix

Gostei do modo como vc escreve tb, poderia postar mais aqui nesse blog para obtermos benefícios dos teus pensamentos.

O que acha?

Que tal começar falando dessa tal "pílula"?

Paz

Anônimo disse...

Pessoal,sei que vocês estão anciosos pela continuação da História do meu irmão, JB, mas infelizmente ele não poderá postar tão cedo. Ele teve uma crise e está internado em um hospital psiquiátrico.Ele já não estva muito bem por essa semana, falando umas coisas esquisitas. Acredito que foi por causa do seu tratamento e pela pressão que sofreu nesse blogue.Assim que tiver mais informações passo para vocês.Abraços a todos!!!

Anônimo disse...

Faz tempo que não entro nesse blog, mas ontem me deu curiosidade." Pasmem", olha meu queixo caído. JB, veja lá o que vai escrever, dispenso apresentações.

Servo! disse...

Tenho que comentar sabe que não posso deixar, tenho tanto amor por cristo que coisas como esta as vezes nos da uma certa revolta, total perca e tempo, não digo nos costume que são bons, mas falo da religião, Jesus usou de muita sabedoria quando advertiu aos dicipulos no livro de
mateus 24-
4-E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane;
5-Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.
Como podemos perceber ele já nos advertia quanto e coisas assim, mas não digo só entre as tjs, nunca me envolvi com eles diretamente, mas tive o desprazer de me envolver com uma pessoa desassociada, e confesso que pessoa melhor no mundo não havia e não falo do amor que sentia nem que era manso era bravo na maior parte do tempo, tinha inúmeros defeitos, mas seus olhos e atitudes era de um ser humano maravilhoso, que foi para esta religião ainda novo, infelizmente cometeu alguns erros e não aceitaram ele mais, viraram as costas para ele e mesmo assim ele ainda os amava, talvez mais que a mim, sofri muito então resolvi estudar todos os ensinamento das tjs e me deparei com absurdos tão grandes que me calsaram
revolta, existe um texto que diz " Que Deus odeia o pecado mas ama o pecador". Não tive ódio do ser humano que cometeu a banalidade ou a blasfêmia de criar uma religião terrível desta, mas senti ódio do pecado que foi alterar, retirar, trocar sentidos de textos não falo de interpretação amigo mas digo do que o espírito santo fala ao seu coração na leitura de cada texto, e um ensinamento individual o que vejo é que nesta religião o ensinamento é um só para todos, como se Deus falasse assim com todos e isso não é real,no livro de Apocalipse-3 diz 13-" Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Se não da ouvido ao espírito santo acaba caindo mesmo no papo destes que dizem que vem em nome de Jeová, mas na verdade estão vedados como, o você mesmo citou são instruídos ruborizados a não ouvir mas a falar, e depois falar mais e assim se torna um ciclo, uma grande família de faladores, pensadores, filósofos que só filosofam se for pra contar, quantos horas mais deve dar para Jeová? Será que a congregação esta satisfeita com meu empenho? Afirmo por experiência própria que a vida com Jeová não é assim, é muito mais livre muito mais alegre e divertida, não e mas necessário sacrifício, será que nossa condição humana já não é suficiente? Penso que já é sim não preciso de estatutos e regras pra viver, o próprio Deus nos ensina sua palavra e viva branda e clara não é necessário imposições Jesus não ensinou assim. De qualquer forma cheguei esta conclusão depois de ler muito analisar muito a vida dos tjs quando me deparei com tudo isso, fiquei confusa sim pensei que pudessem estar certos não por ter certeza de sua fé mas pela convicção na qual pregavam, mas a voz de Deus falou mais alto e me livrei de tudo que me fazia pensar nisso, a voz de Jesus falou doce e suave ao meu coração, não me impôs regras e nem estatutos a seguir só disse que me amava e que não sofresse mais que falasse com ele o que eu queria que ele fizesse pra mim, então orei e pedi e desde então tenho recebido da parte de Jesus o milagre da vida, da felicidade da alegria do verdadeiro sentido da palavra liberdade. Por isso hoje freqüento uma igreja sim, mas ela não me prende a nada nem sigo a regras nem protocolos tenho tudo que preciso bem diante de mim a palavra de Deus e seu espírito santo que fala a meu coração sempre que sinto necessitada de alguma coisa. Graças a Deus, tenho provas, passo por aflições, mas Deus e comigo, hoje sei disso e vivo isso cada dia, feliz, e livre do pecado do julgo do fardo pesado.
Graças a Deus.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único filho unigênito para toda aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna". Novamente o texto "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas"
Amem!