quarta-feira, 30 de junho de 2010

Tirando a Trave do Próprio Olho - Juízes

"Não confieis nos nobres, nem no filho do homem terreno, a quem não pertence a salvação" - Salmo 146:3

Introdução

Em primeiro lugar quero me desculpar com os leitores do Blog, devido a demora e continuar a escrever, na verdade esta semana esta sendo bem difícil para mim, aconteceram coisas que me tiraram do eixo, com isto perdi um pouco da inspiração e as palavras não vinha como de costume. Eu estava dando um tempo para poder voltar a escrever, mas hoje lendo as mensagens de vocês colocadas no mural de recados achei que deveria escrever este Post.
Percebi no mural de recados que há muitas versões do JB, de acordo com o pensamento de cada um, alguns devido a uma aproximação maior outros apenas pela leitura do que escrevo. Na verdade cada ser-humano é muito diferente a partir dos olhos que o veêm e até mesmo do seu próprio ponto de vista. Sendo assim, eu também tenho uma versão minha do JB, além da de vocês, talves eu seja um pouco de como cada um descreve e também de uma forma muito diferente.
O que ocorre é que a vida e o tempo vai nos moldando, cada pessoa que passa na nossa vida deixa alguma coisa e as vezes leva algo embora. E durante estes meus anos na Organização conhecí muitos irmãos e irmãs bem diferentes uns dos outros, alguns excelentes pessoas outros nem tantos, alguns que somaram na minha vida outros que apenas levaram algo embora.

Jovem Servo Ministerial

Embora eu não tivesse buscado a religião, mas ela de certa forma foi colocada e minha vida, como já contei nos posts anteriores, o fato é que quando Jovem, já saído da adolescencia eu estava bem envolvido com a Congregação. Como Servo Ministerial eu tinha muitas responsabilidades na Congregação. Um trabalho que sempre esteve aos meus cuidados foi o quadro de anúncios, mas também fui designado para balcão de literatura, na época em que o controle era maior e as Congregações tinham um estoque maior de literatura, nossa como dava trabalho ! Também fui ajudante das contas, territórios, etc. Na verdade eu passei por todos os departamentos, era também ajudante de grupo, leitor e dirigente de campo.
O que eu mais gostava de fazer era ser leitor de estudo de livro e de a Sentinela, bem fazer discursos públicos. Sempre fui do tipo inovador, daqueles que gostam de trazer novidades, sair da rotina, mudar algo. Esta minha característica era uma faca de dois gumes, pois para alguns era um tempero a mais, tirava da rotina, tornava a coisa mais interessante, porém para os tradicionais dinossauros eu estava querendo apenas aparecer ! Assim ficavam na minha cola !
Foi nesta época também que me aprofundei nas doutrinas TJs. Eu era um devorador de livros, lia todas as publicações, teve uma época que eu saía em busca de livros mais antigos para ler, eu queria saber tudo. Lia principalente anuários, pois eu descobri que os anuários contavam como a obra tinha inicado em cada país. Me lembro até hoje que o anuário de 76 foi o mais interessante pois ele contava a história da obra lá nos EUA. Bom, esta foi uma leitura muito importante pois na época não havia o livro Proclamadores do Reino.
Este era meu mundo, as Testemunhas de Jeová. Eu não pensava em outra coisa, queria apenas fazer progresso dentro da Congregação, cogitava a idéia de ir para Betel ou coisa assim. Embora eu trabalhasse e estudasse, estas coisas meio que ficavam em segundo plano, só não ficavam totalmente porque eu amava e ainda amo a minha profissão, gosto muito de fazer o que faço ! Mas tiveram momentos em que negligenciei totalmente a minha carreira profissional o que me ocasionou num grande atraso que depois tive que recuperar a duras penas !
Eu estava bem engajado, era bem visto pelos irmãos da Congregação, principalmente pelos da dianteira e por isto era muito usado, principalmente nos Congressos e Assembléias. Eu trabalhava geralmente no departamento das contas neste eventos. Ainda me lembro de cuidar daquelas fichas e contar aquele monte de dinheiro, inicialmente trabalhávamos em Estádios, pois existiam poucos Salões de Assembléias, aqui em SP tinha apenas o de Ribeirão Pires.
Não vou negar, fui muito feliz nesta época pois eu gostava do que fazia, tinha amigos da minha idade. Tinha um irmão que era muito amigo meu, coisa de um ir na casa do outro, nós trabalhávamos no campo o dia inteiro, tinha vez de sairmos as oito da manhã e chegar em casa as dez da noite. Tínhamos um pique tremente ! O que eu mais gostava era de trabalhar numa região do terrítório que tinha muitos adventistas, nós ficávamos horas debatendo ! Os adventistas eram muito instruidos, conheciam bem o assunto que pregavam, e as escrituras, eles sempre falavam sobre os erros de nossa tradução, mostravam o grego o hebraico. Mas nós nem ouvíamos, como toda Testemunha de Jeová, deixávamos a pessoa falar sem dar muita atenção e depois disparávamos a nossa metralhadora, geralmente equipada com o raciocínios, ajuda e outras publicações.
Eu pesquisava muito, para poder debater, o que me ajudou a ter a resposta na ponta da língua para muitas das objeções. Nossa como eu me orgulhava disto !
Hoje, fazendo um retrospecto vejo como os Adventistas eram pacientes e conhecedores, muitas das coisas que eles diziam e nós nem dávamos ouvidos, apenas esperávamos o momento de contra-atacar, hoje reconheço que eles tinham razão em alguns assuntos.
Infelizmente este é o nosso problema como Testemunhas de Jeová, somos ensinados a não ouvir, apenas falar !
Quando era Servo Ministerial começei a observar melhor os irmãos da dianteira, via algumas falhas, e coisas que considerava inadequadas. Mas naquela época o pensamento era: "Os irmão são imperfeitos" Jamais associava qualquer tipo de falha ou erros a Organização. Os méritos eram da Organização, mas os erros dos irmãos !
Me lembro de uma vez que estava contando as publicações, e estava dando um problema, os valores não fechavam. Os anciãos já estavam de cabeça quente porque já haviam tomado uma catracada na visita anterior do superintendente de circuito por causa das publicações que não fechavam. Daí o ancião presidente começou a gritar e esbravejar conosco porque a coisa não dava certo, e nós tentando explicar que o erro já vinha de antes, mas ele simplesmente de forma grosseria dizia que era problema nosso e que era para se virar. Eu chamei o outro irmão que trabalhava comigo, também Servo Ministerial e disse: "Esta vendo isto ? Logo seremos anciãos também, e é justamente esta forma de agir que nós devemos evitar, temos que ser justamente o oposto do que eles, veja como os irmãos sofrem com este tipo de atitude !"
Me lembro também que quando antes de casar, eu era Servo Ministerial, meu namoro e noivado foi todo certinho, como manda o figurino, nenhum problema. Me lembro que me mudei de Congregação pois estava construindo e para a coisa ficar mais fácil, eu não tinha feito nada de errado, mas os irmãos na nova Congregação não me recomendaram, embora tivessem recebido uma carta muito favorável sobre mim. Me seguraram um bom tempo, somente depois de casado e que me redesignaram Servo Ministerial.
Esta Congregação para qual me mudei, era mais humilde do que a que eu pertencia, humilde quer dizer irmãos mais limitados no sentido financeiro e de instrução. Embora a organizãção de uma forma geral seja a mesma, as coisas são um pouco diferentes quando mudamos de Congregação. Tempos depois fui descobrir que ele tinham segurado minha designação porque achavam que eu era "sabido" demais, e achavam que eu era metido e orgulhoso. Pode isto ? Além das recomendações Bíblicas para a designação, além da carta extremamente favorável e minha boa conduta, tinha também a lei do achismo, e neste caso esta prevaleceu ! Alias, este é um grande problema nas Congregações, quando os anciãos se ancoram nesta lei, a le do achismo, daí a negada sofre, principalmente aqueles que eles pegam para Cristo !
Quem reverteu esta situação no meu caso foi um Superintendente, ele trabalhou comigo um dia no campo, conversamos muito. Depois ele foi almoçar em casa. E na reunião após uma parte minha ele me perguntou porque eu ainda não era Servo Ministerial, pois eu tinha tantas qualificações. Eu expliquei a ele que eu tinha sido Servo Ministerial na Congregação anterior mas que não tinha sido redesignado. Ele foi investigar, foi então que fiquei sabendo da coisa do "metido". Só sei que os anciãos tomaram outra catracada e tiveram que me redesignar. Alias o que os anciãos daquela Congregação tomavam de catracada não estava escrito !
Então, com o passar do tempo, antes mesmo de completar os 25 anos de idade, após a visita do Superintendente de Circuito, um ancião me chama de canto durante a reunião e começa a fazer algumas perguntas sem pé nem cabeça, eu sem entender apenas fui respondento. Daí ele m diz que eu havia sido recomendado pela Congregação como ancião e que Betel havia aprovado. Então a pergunta: O irmão tem alguma coisa que o impede de aceitar esta designcação ? Minha respostâ obviamente foi: Não irmão, nada me impede. Então a pergunta complementar: O irmão aceita o previlégio. Minha resposta: Sim irmão aceito, fico muito feliz com a recomendação !
Então os céus se abriram e uma legião de anjos ao acompanhamento de arpas cantavam "glória a Deus nas altura e paz a terra entre os homens de boa vontade". E na rua fogos de artifício complementavam o cenário, de grande gozo e alegria !
Brincadeirinha...O que houve é que naquela reunião o anúncio foi dado e no término da reunião os famosos apertos de mãos e batidas nas costas de parabens. Daí uma nova etapa na minha carreira cristã se inicia. Mas isto é uma outra história....

6 comentários:

Anônimo disse...

Eu te admiro muito!

Servo! disse...

Nosso maravilha sua historia amigo, sabe o quanto te admiro, mas tenho que admitir, você é bem simples sim, mas da impresão de ser um tanto metido, kkkkkk ainda bem que não só eu que acho, não que você seja é que muitas das vezes caro amigo, o grau de instrução a leitura o forma como se fala, como anda, como leva a vida, as vezes nos faz ser notados esse é o grande problema da sociedade, não aceita quando se vê alguém normal como todos temos que ser, no meu ponto de vista, temos que ser instruídos, temos que falar bem saber nos comportar com elegância, nos vestir bem, manter as vezes uma certa distancia de coisas que não tem nada a ver, conversas populares, ficar meio afastado, não se excluir mas se incluir em mundos que mais sejam semelhantes com nosso estilo, penso assim não quer dizer que temos que parar de falar com as pessoa, mas tomar cuidado com que falamos com certas pessoas como nos vestimos, entre outras coisas, mas isso e sempre confundido com metides, arrogância, sei bem como se sente, mas o que realmente conta amigo, é a pessoa que somos os elogios de nada servem pois eles não mudam o que pensamos de nos mesmos penso que podemos levar uma vida normal, mas atento as criticas para tentar sempre melhor em todas as áreas de nossas vidas, interessante sim sua historia de vida entendo que sempre foi dedicado a todas as coisas em sua vida o pouco tempo que nos conhecemos posso dizer sempre que você vai longe amigo. Sorte sempre.

Anônimo disse...

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Abraços

Anônimo disse...

Na minha congregação as irmãs dão longos abraços nos designados, dizem que é tão dificil ter ocasiões como esta na congregação em que podem abraçar alguém do sexo oposto que então aproveitam para "tirar a barriga da miséria, e tirar uma casquinha, ahahahah". Acabei concordando e notando que muitas vezes falta um pouco mais de carinho e achego entre nós. Não é ser maldoso no abraço. Mas realmente sentimos falta de um abraço amigo de uma irmã que realmente é uma irmã e poderia ser nossa mãe, irmã, tia, avó, etc.

Anônimo disse...

Tive um problema na hora em que mudei de congregação: o irmão dinossauro da antiga congregação disse que não iam me designar pois eu estava com problemas naquela congregação e não iam passar o "problema" adiante para a outra. Então não iam me designar ancião. Meu problema era exatamente o dinossauro que travava os novos. Aguentei 5 longos anos. Até que decidi mudar. Fiz um esforço enorme para completar minha graduação sem atrapalhar (faltar) as reuniões e meu trabalho, e enquanto isto pedia para não ter tantas partes, já que eu era bem usado na congregação. E por isto, quando decidi mudar, me disseram que não iam me designar. Mas assim que mudei e veio o superintendente, depois de uns 6 meses fui redesignado novamente. Mas hoje sou mais "tranquilo como ancião, não quero destaque, ajudo no é possível alguns irmãos e procuro fazer boas partes para também ajudar outros a pensar.

carolinamirian disse...

nossa que legal irmão!
olha não sou testemunha de Jeová, ainda... pq não posso. mas um dia vou ser. escreve pra mim. admirei muito vc e sua estória. eu estudo a biblia, mas sozinha, sem intrutora, mas tenho um amigo que me ajuda muito, ele é servo ministerial. até mais.